quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Imprensa Alternativa

Meu depoimento sobre o acervo de Imprensa Alternativa em depósito no Arquivo Geral da Cidade do RJ (AGCRJ):

Catálogo de Imprensa Alternativa/Acervo AGCRJ: 
http://www0.rio.rj.gov.br/arquivo/acervos-imprensa.html

Seminário Direito e Ditadura

Evento promovido pelo Programa de Educação Tutorial - PET Direito da Universidade Federal de Santa Catarina, de 25-9/10/2010

Vídeo


Programação

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Faltou um pequeno detalhe no excelente artigo do Safatle, by Luiz Carlos Azenha

PS do Viomundo: Faltou uma perguntinha básica no excelente artigo do excelente Safatle, que diz respeito à participação direta de alguns veículos de imprensa na repressão, seja com apoio editorial, seja com apoio financeiro, seja contratando censores, seja com apoio de...viaturas. Está tudo, por exemplo, no livro Cães de Guarda, da Beatriz Kushnir.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Emir Sader: Data incômoda para a direita

O debate com os alunos da ECA e o Dia da Mentira



por Luiz Carlos Azenha
Hoje estive em minha alma mater, a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
Soneguei a informação de que não fui exatamente um aluno-modelo. Aliás, talvez minhas notas nem tenham refletido isso. O fato é que quando ingressei na ECA eu já era jornalista em exercício, no fim dos anos 80. Fiz parte do curso entre Bauru (onde eu era editor de local do Jornal da Cidade) e São Paulo. Quando comecei a trabalhar em TV, em 1980, continuei levando a faculdade aos trancos e barrancos. Mais tarde, decidi levar o curso a sério, pedi demissão da Globo e me mudei definitivamente para São Paulo. Eu me formei em 1985, mas antes de colar grau fui nomeado correspondente da TV Manchete em Nova York e só fui colar grau sozinho, na sala do diretor da ECA, em fevereiro de 1987.
Enfim, uma verdadeira novela que não cabia no debate. Falamos sobre as perspectivas diante dos futuros jornalistas.
De minha parte, considerando a data, recomendei aos estudantes a leitura de três livros:
1964: A Conquista do Estado, de Rene Armand Dreifuss, que descreve os bastidores da quartelada cívico-militar de triste memória. Demonstra de forma insofismável como empresários brasileiros, com apoio de executivos americanos e, especialmente, da mídia, criaram na minúscula classe média de então o clima para justificar o golpe. O objetivo não declarado: promover o arrocho salarial e dar “segurança jurídica” aos investidores estrangeiros. Ah, sim, o fantasma do comunismo comedor de criancinhas foi a justificativa para implantar a barbárie.
Cães de Guarda, da Beatriz Kushnir, que demonstra clara e limpidamente como as grandes empresas de mídia tiveram relações carnais com o regime, como “adaptaram” as redações para receber os censores e, no caso do Grupo Folha, como um jornal foi entregue a agentes, alcaguetes e outros tipos ligados à repressão.
O que resta da ditadura, organizado por Vladimir Safatle e Edson Teles, que mostra os resquícios do regime militar que persistem ainda hoje na sociedade brasileira.
Enfim, é para que os futuros jornalistas saibam que o apartheid social em que vivemos não brotou por acaso, que ele foi promovido e defendido, às vezes com métodos arbitrários e violentos, por muitos dos que hoje se dizem amantes da liberdade de expressão.
Abaixo, dica da @tassiarabel no twitter com artigo que Roberto Marinho escreveu em 1984 sobre o golpe, publicadono blog do vereador Carlos Bolsonaro. E, mais abaixo, o documento imperdível publicado pelo Conversa Afiada do dia em que O Globo fez deduragem explícita, iscando o alto comando do Exército contra intelectuais brasileiros.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Conversas sobre o golpe de 64

Diretor Camilo Tavares fala sobre a série 'O dia que durou 21 anos', que estreia segunda-feira na TV Brasil
Documentário apresenta arquivos inéditos sobre o Golpe Militar
Série apresenta arquivos inéditos sobre o Golpe Militar
Sem Censura desta quinta-feira (31), às16h, está imperdível. A apresentadora Leda Nagle recebe Camilo Tavares, diretor do documentário O dia que durou 21 anos, que será exibido a partir de segunda-feira (04), na TV Brasil, às 22h, em uma série de três episódios. A produção apresenta, entre outras coisas, a relação dos Estados Unidos com o Golpe Militar, instituído há exatos 47 anos.
Ainda no assunto da ditadura militar, a historiadora Beatriz Kushnir mostra suas reflexões e análises sobre o tema, pontuando as reverberações nos dias de hoje.
Abrindo a parte cultural, Léo Jaime fala sobre sua carreira de músico e apresentador, além de divulgar seus novos trabalhos. E Lúcio Mauro Filho conversa sobre a peça Clichê, em cartaz no Teatro Leblon, no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Os 90 anos da Folha: 3 dos 9 atos

O Grupo FSP consegue a proeza de comemorar os seus 90 anos, admitir a colaboração ao regime autoritário, mas utilizando-se de uma escrita que nos dá a impressão de que narram a história de um estranho.
Não se compromete, não revê a sua trajetória e apenas expõe os fatos sem os interpretá-los. Seria cômico se já não o percebêssemos como trágico!




O PAPEL NA DITADURA


Folha apoiou o golpe militar de 1964, como praticamente toda a grande imprensa brasileira. Não participou da conspiração contra o presidente João Goulart, como fez o "Estado", mas apoiou editorialmente a ditadura, limitando-se a veicular críticas raras e pontuais. [Apoiou, mas não conspirou??? Como assim?]
Confrontado por manifestações de rua e pela deflagração de guerrilhas urbanas, o regime endureceu ainda mais em dezembro de 1968, com a decretação do AI-5. O jornal submeteu-se à censura, acatando as proibições, ao contrário do que fizeram o "Estado", a revista "Veja" e o carioca "Jornal do Brasil", que não aceitaram a imposição e enfrentaram a censura prévia, denunciando com artifícios editoriais a ação dos censores. [Então o "correto" era se submeter. Que vantagens se leva nisto? Verbas do governo?]
As tensões características dos chamados "anos de chumbo" marcaram esta fase do Grupo Folha. A partir de 1969, a "Folha da Tarde" alinhou-se ao esquema de repressão à luta armada, publicando manchetes que exaltavam as operações militares. 
A entrega da Redação da "Folha da Tarde" a jornalistas entusiasmados com a linha dura militar (vários deles eram policiais) foi uma reação da empresa à atuação clandestina, na Redação, de militantes da ALN (Ação Libertadora Nacional), de Carlos Marighella, um dos 'terroristas' mais procurados do país, morto em São Paulo no final de 1969. [Que loucura, eles não entregaram a FT para se auto-proteger como empresa, mas para defende-la de "terroristas" infiltrados que, como empregados, podiam ser demitidos e ponto].
Em 1971, a ALN incendiou três veículos do jornal e ameaçou assassinar seus proprietários. Os atentados seriam uma reação ao apoio da "Folha da Tarde" à repressão contra a luta armada. 
Segundo relato depois divulgado por militantes presos na época, caminhonetes de entrega do jornal teriam sido usados por agentes da repressão, para acompanhar sob disfarce a movimentação de guerrilheiros. A direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins". [E continua negando, pois nos seu balanço de 90 anos, fala de si na terceira pessoa do plural - eles].
SURFANDO A ONDA DA ABERTURA

No início de 1974, Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha, foi procurado por Golbery do Couto e Silva, futuro chefe da Casa Civil do governo de Ernesto Geisel, prestes a tomar posse.


Os dois militares seriam os principais artífices do projeto de distensão e abertura política, e Golbery encontrou-se com donos de jornais para expor o plano. Sabendo que enfrentaria a resistência da linha dura, queria a imprensa como aliada natural. 

No caso da Folha, Golbery deixou claro que ao futuro governo não interessava ter um único jornal forte em São Paulo. A conversa coincidiu com discussões internas na empresa, com vistas a aproximar a Folha da sociedade civil. A empresa tinha saldado as dívidas iniciais e se expandido. O passo seguinte seria transformar o matutino num jornal influente. 

Em meados de 1974, uma reunião em Nova York entre Frias, Cláudio Abramo e Otavio Frias Filho foi decisiva para a definição da nova estratégia. Sob a inspiração de Frias pai, uma ampla reforma editorial foi concebida e executada nos anos seguintes por Abramo, que trabalhava na Folha desde 1965. As páginas 2 e 3 se tornaram espaços de opinião crítica. Passaram a fazer parte da equipe editorial colunistas renomados, como Paulo Francis e, mais tarde, Janio de Freitas. 

A trajetória teve um desvio em 1977, quando, por pressão da linha dura do governo, Abramo foi afastado de seu cargo. O revés, no entanto, seria passageiro. Boris Casoy, que o substituiu, manteve a orientação e garantiu que o jornal tivesse um espaço relevante no processo de redemocratização."
 O JORNAL DAS DIRETAS

Em 1983, o Brasil estava num limbo político: tinha-se como certo que o ciclo militar se aproximava do fim, mas a eleição para presidente ainda era indireta. Foi nesse contexto que, timidamente, surgiu o movimento das Diretas-Já.
Folha foi o jornal que mais se associou às Diretas. Seu engajamento é anterior ao das principais lideranças de oposição que, em fins de 1983, ainda não formavam uma frente compacta, deixando prevalecer os interesses partidários. Nessa altura, quando o movimento mal conseguia encher uma praça, o jornal criticou o sectarismo dos políticos e o silêncio da imprensa.
Os jornais só passaram a dar importância às Diretas-Já a partir de 25 de janeiro de 1984, quando o aniversário da cidade se transformou no primeiro dos muitos megacomícios que seriam realizados nos três meses seguintes. 
Quando praticamente toda a imprensa cobria o movimento, o diferencial da Folha foi o tom de campanha. Jornalistas da sede em São Paulo viajavam para todas as capitais e grandes cidades onde eventos eram realizados. Os textos, com frequência ufanistas, procuravam inflamar os ânimos, de modo a arrastar mais pessoas para as ruas. No auge do movimento, a Folha passou a ser chamada até nos palanques de "o jornal das Diretas". 
Com a autoridade moral conquistada durante a campanha, o jornal também criticou desvios de lideranças políticas, ao identificar manobras por baixo do pano com vistas a garantir a eleição indireta de um civil de oposição. 
Quando as Diretas foram derrotadas no Congresso, em 25 de abril, a Folha foi o jornal que captou com mais intensidade a decepção popular. "A NAÇÃO FRUSTRADA!" foi a manchete do dia seguinte, ao lado de um editorial que chamava os parlamentares responsáveis pelo resultado de "fiapos de homens públicos" e "fósseis da ditadura".
Apesar da derrota, o movimento pavimentou o caminho para a eleição indireta do oposicionista Tancredo Neves. Quanto à Folha, saiu da campanha com capital editorial suficiente para se tornar um dos jornais mais influentes do país".