domingo, 8 de abril de 2012

Desculpe a nossa falha!




Ocorreu ontem (05/03/2012) no estúdio da Pós TV na Casa Fora do Eixo São Paulo uma esclarecedora e importante edição do Desculpe a Nossa Falha, apresentado semanalmente por Lino Bocchini. 
Com o tema da cumplicidade entre a mídia brasileira e a ditaura militar, estiveram presentes também Thaís Barreto, do Núcleo da Memória, a pesquisadora Beatriz Kushnir – autora do livro Cães de Guarda: jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988 (Boitempo, 2004) – e o jornalista e escritor Alípio Freire, que além de ter sido militante da Ala Vermelha e ter sido capturado pela Operação Bandeirantes em 1969, trabalho na Folha em duas oportunidades: em 1968, depois de 1975 a 1979.

Confira aqui o programa na íntegra: Entrevista

terça-feira, 3 de abril de 2012

Um jornal de rabo preso


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Domingo, 30 de Março de 2014
   |   ISSN 1519-7670 - Ano 17 - nº 791

Por Hermínio Prates

A incoerência da mídia em geral, e especialmente da Folha de S.Paulo, poderia até ser perdoada, se não se repetisse tanto e, como sempre, torcendo os fatos para produzir o suco da enganação. É um espanto! – diria o comediante Agildo Ribeiro revivendo personagem de histriônico passado.
A Folha, todos se lembram, sempre correu atrás do Estado de S.Paulo e quase sempre sem chegar nem perto. Isso se considerarmos a tiragem e a influência de um e de outro. Foi assim durante longo tempo até que surgiu a grande chance no início da década de 1980. O país, depois de penar sob o coturno dos milicos, começava a respirar novos ares. A possibilidade de se eleger um presidente, com voto direto, ganhava força. Atenta aos novos tempos, a direção do jornal assumiu o risco – se é que ainda havia algum naquele momento – e deu asas ao sonho.
A tática era jogar sob o tapete da História o sujo passado do jornal, que recentemente cunhou o neologismo “ditabranda” para definir a sanha assassina dos torturadores do golpe de abril de 1964. E a empresa até emprestava insuspeitos veículos para o transporte de subversivos presos, aqueles malditos difusores do credo vermelho que, portanto, mereciam os espetos do demônio. Quem quiser conhecer parte dos podres do jornal da elite paulista que leia o livro Cães de guarda – Jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1988, fruto da tese de doutorado de Beatriz Kushnir. O livro, quase censurado e boicotado em todos os cantos, tem incomodado os bacanas da mídia.
Enquanto a Rede Globo teimava em desconhecer e até negar os fatos, a Folha mobilizou máquinas e mentes, sucursais e repórteres, todos jogando no grande time da democracia. A melhor e maior cobertura passou a ser daFolha, que mantinha sempre um olho nas costuras políticas e outro no público que precisava conquistar. Nos idos de 1980 havia o esperto mineirinho Tancredo Neves arrematando as pontas da grande colcha de retalhos de um lado e os homens de mercado (os tais marqueteiros de hoje) conquistando os jovens de outro. Os universitários enchiam a boca quando citavam – e sempre faziam questão de citar – a Folha de S.Paulo.
A Folha se transformou em autêntico JB
Nessa época, o incrédulo escrevinhador que vos toma o tempo dividia as noites entre várias turmas do curso de Jornalismo, ensinando o pouco que sabia para jovens ávidos de aprender os mistérios da profissão. E, como não poderia deixar de ser, de vez em quando analisávamos a cobertura jornalística das Diretas Já. Todos só queriam saber da Folha, era difícil motivar esse ou aquele aluno para os outros jornais. E tome porrete no Globo e na TV dos Marinhos pelos motivos que todos já conhecem...
Mas, infelizmente, as conveniências políticas foram mais fortes e o que era para ser de forma democrática e direta foi parar, de novo, em um suspeitíssimo colégio eleitoral. Ainda bem que entre Tancredo e Maluf não havia possibilidade de erro, principalmente se considerarmos o alcance do longo arco de alianças feito pelo avô do Aécio bom de papo. E, ao longo do complicadíssimo parto cívico-partidário, lá sempre esteve a Folha e seus repórteres. Mas o destino deu uma rasteira no mineirinho e tivemos que engolir o oportunista José Sarney, beneficiário mor da tragédia.
Saldo da longa campanha na área jornalística? A até então paulistana Folha se transformou em autêntico Jornal do Brasil, roubando do informativo da condessa Pereira Carneiro (o JB) a importância, a pose e o poder de influenciar as mais jovens cabecinhas pensantes. Público leitor também foi tirado de O Globo e até do vetustoEstadão.
Descompromisso com a imparcialidade
Qual é hoje a realidade da Folha? Remói com mágoas os oito anos de Lula, teve que engolir a vitória da Dilma, mas ainda se crê com força suficiente para influir no livre pensar de quem vota. Como influir? O jornal se desmoralizou pela teia de mentiras que tentou tecer, as vendas despencam e mais ninguém faz ou renova assinaturas. Tanto que vozes sedutoras tentam, pelo telefone, nos convencer a assinar o calhamaço. Assinar para que, se a internet nos disponibiliza acessos rápidos a essa e a outras fontes? E quem ainda tem estômago, por exemplo, para ler as intrigas de Eliane Cantanhêde, colunista (ou calunista, no dizer de Paulo Henrique Amorim) militante que assina espaço na página de opinião do jornal?
Vida que segue, texto que escoa e o atento leitor pode estar se perguntando sobre as razões da inicial frase da coluna. Sim, há flagrante e constante incoerência na Folha. Ela, que tanto apregoa sua “intransigente defesa da verdade” e que já fez até campanha publicitária tendo como mote a garantia de que “não tem o rabo preso”, sempre se referiu a Augusto Pinochet, Alfredo Stroessner e outros com o título de presidente. Também os generais brasileiros e o marechal que iniciou o ciclo no fatídico 1964 sempre foram chamados de presidentes. Ora, ora, o bom jornalismo não pode bater continência para nenhuma ideologia. Se eles foram presidentes e não ditadores, por que nunca se deu o mesmo tratamento a Fidel Castro? De todos os jornais brasileiros, a Folhasempre foi dos mais críticos ao barbudo ex-fumador de charutos e que, por sua insignificância econômica, nem deveria preocupar o imbatível paraíso democrático de que tanto se orgulham os negocistas da opinião.
Espera aí, meu preclaro patrulhador. Não estou defendendo Alice e nem acusando quem roubou os doces da vovó; estou apenas comparando a política de dois pesos e de não sei quantas medidas adotada pelo pretensioso jornal impresso na terra onde ainda bica o tucano. Foi por ouvir tantas coisas contra e a favor de Cuba que dei um jeito de ir ver de perto o que uns chamavam de “paraíso socialista” e outros de “inferno comunista”. Em pleno desgoverno dos tucanos, juntei as notinhas de real – essa imbatível moeda que FHC garantia ser aceita em qualquer parte do mundo, desde que não se fosse além do Paraguai – e lá fui eu, com o olhar descompromissado da imparcialidade.
Apenas a próxima refeição
O que vi por lá? Nem o de mais, nem o de menos. Vi pobres sim, mas não miseráveis. Visitei lugares paradisíacos, mas exclusivos para os turistas. Com o bloqueio, os recursos minguaram e o turismo passou a ser a principal fonte de dólares. O principal erro é de quem pretende ver Cuba sob a ótica da nossa classe média alta. Para esses, Cuba não está com nada, pouco oferece para se consumir. Interessante seria imaginar aquela ilha sob a ótica de quem ganha quase nada, não tem onde morar, é um sem escola, sem transportes, sem segurança, sem terra, sem emprego, sem saúde, sem comida e até sem esperança. Ah, já sei, no reinado de Fernando II não havia esse tipo de gente aqui, só lá na... na... na França, plagiando antigo personagem daEscolinha do Professor Raimundo.
O que se dizia era que para entrar em um avião em Cuba era preciso tirar passaporte e que o documento custava 500 dólares, dinheiro muito difícil de juntar. É, também ouvi isso por lá. Ainda bem que no Brasil existe liberdade, pois qualquer um pode ir para onde quiser. Claro, apenas uma ínfima minoria, no reinado do tucanato, poderia ter os dólares para exercer o sagrado direito de ir e vir e possíveis 90% estavam mais preocupados com o desemprego, as filas nos hospitais, o assaltante na próxima esquina etc. Isso para não lembrar dos mais de 40 milhões de brasileiros que tinham como horizonte apenas a próxima refeição.
Mas isso é um detalhe, dirá o bem cevado deputado nesse berço da impunidade.

sábado, 31 de março de 2012

Golpe civil-militar de 1964: 48 anos - Cordão da Mentira desfila pelas ruas de São Paulo

30/03/2012

Composto por coletivos políticos, grupos de teatro e sambistas, Cordão da Mentira questionará quem e quais são os interesses que bloqueiam uma real transformação da sociedade brasileira



Da redação
Será realizado neste domingo (1º), em São Paulo, o desfile do Cordão da Mentira. Composto por coletivos políticos, grupos de teatro e sambistas de diversos grupos e escolas da capital paulista, o Cordão da Mentira questionará quem e quais são os interesses que bloqueiam uma real transformação da sociedade brasileira.
O desfile ocorrerá no Dia da Mentira e do Golpe Militar de 1964. A concentração será às 11h30, em frente ao Cemitério da Consolação.

Em seguida, o cordão passará pela rua Maria Antônia, onde estudantes da Universidade Mackenzie, dentre eles integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), entraram em confronto com alunos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Um estudante secundarista morreu.
Depois os foliões-manifestantes seguem para a sede da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), uma das organizadoras da “Marcha da Família com Deus, pela Liberdade”, que 13 dias antes do golpe convocava o exército para se levantar “contra a desordem, a subversão, a anarquia e o comunismo”.
Depois de passar pelo Elevado Costa e Silva --que leva o nome do presidente em cujo governo foi editado o AI-5, o mais duro dos Atos Institucionais da ditadura-- o bloco seguirá pela alameda Barão de Limeira, onde está a sede do jornal Folha de S.Paulo. Segundo Beatriz Kushnir, doutora em história social pela Unicamp, a Folha ficou conhecida nos anos 70 como o jornal de “maior tiragem” do Brasil, por contar em sua redação com o maior número de “tiras”, agentes da repressão.
A ação da polícia na Cracolândia, símbolo da continuidade das políticas repressivas no período pós-ditadura, bem como o Projeto Nova Luz, realizado pela Prefeitura de São Paulo, serão alvos dos protestos durante a passagem do cordão pela rua Helvétia.O cordão dispersará na antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), na rua General Osório.


R. Maria Antônia – Guerra da Maria Antônia/Av. Higienópolis – sede da TFP/R. Martim Francisco/R. Jaguaribe/R. Fortunato/R. Frederico Abranches/Parada no Largo da Santa Cecília/R. Ana Cintra – Elevado Costa e Silva/R. Barão de Campinas/R. Glete/R. Barão de Limeira – jornal Folha de S.Paulo/R. Duque de Caxias – Cracolândia/Projeto Nova Luz/R. Mauá/Dispersão:R. Mauá com a R. General Osório – antigo prédio do Dops

Leia aqui o manifesto das entidades que compõem o Cordão da Mentira:

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Imprensa Alternativa

Meu depoimento sobre o acervo de Imprensa Alternativa em depósito no Arquivo Geral da Cidade do RJ (AGCRJ):

Catálogo de Imprensa Alternativa/Acervo AGCRJ: 
http://www0.rio.rj.gov.br/arquivo/acervos-imprensa.html

Seminário Direito e Ditadura

Evento promovido pelo Programa de Educação Tutorial - PET Direito da Universidade Federal de Santa Catarina, de 25-9/10/2010

Vídeo


Programação

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Faltou um pequeno detalhe no excelente artigo do Safatle, by Luiz Carlos Azenha

PS do Viomundo: Faltou uma perguntinha básica no excelente artigo do excelente Safatle, que diz respeito à participação direta de alguns veículos de imprensa na repressão, seja com apoio editorial, seja com apoio financeiro, seja contratando censores, seja com apoio de...viaturas. Está tudo, por exemplo, no livro Cães de Guarda, da Beatriz Kushnir.

Cães no OperaMundi

  Relações perigosas: a Folha de São Paulo e a ditadura brasileira Antes de se apresentar como um dos símbolos da redemocratização, jornal m...