sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O 4o Poder

O jornalista Paulo Henrique Amorim lança uma compilação de histórias centradas na sua carreira de jornalista, e se debruça na relação imprensa X governo.




















Ao refletir sobre a censura no pós-1964, cita o Cães...



quarta-feira, 1 de julho de 2015

O amor da mídia aos delatores vem de longe

http://www.ocafezinho.com/2015/07/01/o-amor-da-midia-aos-delatores-vem-de-longe/





A Folha chegou a emprestar seus furgões para que a polícia política transportasse os presos que seriam torturados. Torturados, é bom lembrar, para que se transformassem em delatores.
O espírito autoritário do Estado sempre se revela assim: na tentativa de transformar cidadãos em desprezíveis delatores. É o acontece em todos os fascismos, inclusive nos regimes fascistas de esquerda, como nos tempos mais sombrios da União Soviética e da Alemanha Oriental.
E agora, o fascismo judicial, com apoio histérico da mídia, quer novamente transformar delações arrancadas de maneira ilegal, vazadas de forma ilegal, e distorcidas na imprensa de forma ilegal, na principal prova de acusação. O que importa é produzir a condenação política e midiática. O resto vem na sequência.
Os juízes das instâncias superiores depois são intimidados. Se não chancelam o arbítrio, são massacrados nas grandes mídias.

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‘Folha’ ama delatores desde a ditadura









Por Altamiro Borges, em seu blog
quarta-feira, 1 de julho de 2015

O jornal “Folha de S.Paulo” – o mesmo que ajudou a criar o clima fascista para o golpe de 1964 e que apoiou os setores mais truculentos da ditadura militar, com suas torturas e assassinatos – não gostou das respostas de Dilma Rousseff durante sua visita aos EUA. Perguntada sobre a midiática Operação Lava-Jato – com suas “delações premiadas” e premeditadas, seus vazamentos seletivos e suas prisões e métodos ilegais de obter confissões -, a presidenta foi enfática: “Eu não respeito delator, até porque estive presa na ditadura militar e sei o que é. Tentaram me transformar numa delatora. A ditadura fazia isso com as pessoas presas e garanto a vocês que resisti bravamente”.
Um dia depois, nesta terça-feira (30), durante entrevista coletiva na Casa Branca e ao lado de Barack Obama, a presidenta voltou a ser questionada sobre a Operação Lava-Jato e novamente condenou a forma como as investigações são conduzidas. “Isso é um tanto quanto Idade Média… O governo brasileiro não tem acesso aos autos. E, estranhamente, há um vazamento seletivo e alguns têm acesso. Aqueles que são mencionados não têm como se defender porque não sabem do que são acusados”. As respostas desagradaram a famiglia Frias e seus serviçais. Em editorial nesta quarta-feira, intitulado “Lógica torturada”, a Folha esbraveja:
“Ao dizer que não respeita delator, Dilma demonstra incoerência, mistura ditadura com democracia e ataca mecanismo processual… Antipatizar com delatores é uma questão pessoal, mas Dilma Rousseff, na condição de presidente da República, tem o dever legal de respeitar um instituto admitido pela legislação brasileira – a norma mais recente sobre o tema, aliás, foi sancionada pela própria petista em 2013… Embora advogados de envolvidos na Operação Lava Jato apontem abusos nas prisões, não se tem notícia de violência física ou supressão do direito de defesa. Não se confundem com ruptura institucional os eventuais exageros processuais”.
Na sua seletividade, a famiglia Frias nem sempre apoia os ‘delatores’. O doleiro Alberto Youssef, por exemplo, já dedurou o tucano Aécio Neves nas suas “delações premiadas” da Lava-Jato, revelando que ele recebia “mesada” da empresa Furnas. As graves denúncias contra o cambaleante, porém, não tiveram qualquer destaque nas páginas da Folha. O próprio Ricardo Pessoa, dono da UCT, que agora é manchete diária na mídia tucana, também acusou o senador Aloysio Nunes, vice na chapa de Aécio Neves nas eleições do ano passado. Neste caso, as denúncias do “delator” também sumiram do jornal.
A Folha somente apoia os “delatores” que servem aos seus propósitos políticos. Esta seletividade é bem antiga. No período mais sombrio da ditadura militar, o jornal utilizou depoimentos extraídos na tortura para atacar os patriotas que lutavam pela volta da democracia no Brasil. A historiadora Beatriz Kushnir, no imperdível livro “Cães de guarda: jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1988″, apresenta vários documentos que comprovam a postura fascista da famiglia Frias. Ela sempre seguiu a “lógica dos torturadores” – no passado e no presente.