quarta-feira, 6 de abril de 2011

O debate com os alunos da ECA e o Dia da Mentira



por Luiz Carlos Azenha
Hoje estive em minha alma mater, a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
Soneguei a informação de que não fui exatamente um aluno-modelo. Aliás, talvez minhas notas nem tenham refletido isso. O fato é que quando ingressei na ECA eu já era jornalista em exercício, no fim dos anos 80. Fiz parte do curso entre Bauru (onde eu era editor de local do Jornal da Cidade) e São Paulo. Quando comecei a trabalhar em TV, em 1980, continuei levando a faculdade aos trancos e barrancos. Mais tarde, decidi levar o curso a sério, pedi demissão da Globo e me mudei definitivamente para São Paulo. Eu me formei em 1985, mas antes de colar grau fui nomeado correspondente da TV Manchete em Nova York e só fui colar grau sozinho, na sala do diretor da ECA, em fevereiro de 1987.
Enfim, uma verdadeira novela que não cabia no debate. Falamos sobre as perspectivas diante dos futuros jornalistas.
De minha parte, considerando a data, recomendei aos estudantes a leitura de três livros:
1964: A Conquista do Estado, de Rene Armand Dreifuss, que descreve os bastidores da quartelada cívico-militar de triste memória. Demonstra de forma insofismável como empresários brasileiros, com apoio de executivos americanos e, especialmente, da mídia, criaram na minúscula classe média de então o clima para justificar o golpe. O objetivo não declarado: promover o arrocho salarial e dar “segurança jurídica” aos investidores estrangeiros. Ah, sim, o fantasma do comunismo comedor de criancinhas foi a justificativa para implantar a barbárie.
Cães de Guarda, da Beatriz Kushnir, que demonstra clara e limpidamente como as grandes empresas de mídia tiveram relações carnais com o regime, como “adaptaram” as redações para receber os censores e, no caso do Grupo Folha, como um jornal foi entregue a agentes, alcaguetes e outros tipos ligados à repressão.
O que resta da ditadura, organizado por Vladimir Safatle e Edson Teles, que mostra os resquícios do regime militar que persistem ainda hoje na sociedade brasileira.
Enfim, é para que os futuros jornalistas saibam que o apartheid social em que vivemos não brotou por acaso, que ele foi promovido e defendido, às vezes com métodos arbitrários e violentos, por muitos dos que hoje se dizem amantes da liberdade de expressão.
Abaixo, dica da @tassiarabel no twitter com artigo que Roberto Marinho escreveu em 1984 sobre o golpe, publicadono blog do vereador Carlos Bolsonaro. E, mais abaixo, o documento imperdível publicado pelo Conversa Afiada do dia em que O Globo fez deduragem explícita, iscando o alto comando do Exército contra intelectuais brasileiros.

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