domingo, 30 de março de 2014

Além de apoiar o golpe, mídia foi colaboracionista

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Da Redação, site Viomundo
No debate deste sábado TV Globo: Do golpe de 64 à Censura Hoje a historiadora Beatriz Kushnir, autora do livro Cães de Guarda – Jornalistas e Censores, do AI-5 à Constituição de 1988, se disse surpresa com a contribuição de um jornalista a um recente caderno da Folha de S. Paulo sobre o golpe de 64.
Em seu artigo, sobre a imprensa paulista, o jornalista oferece um retrato matizado do que, na opinião de Beatriz, foi claríssimo: a mídia não só apoiou o golpe de 64 como, ao longo da ditadura militar, foi colaboracionista. O autor do artigo criticado pela historiadora também diz que a mídia teve papel importante tanto na anistia  quanto na redemocratização, o que ela contesta. Bia faz referência ao livro Mil Dias, que descreve a redefinição do projeto editorial da Folha com objetivos comerciais. Ela relembra Jânio de Freitas: se as pessoas voltassem aos arquivos dos jornais da época do AI-5, o ato mais grotesco da ditadura, que fechou o Congresso, ficariam chocadas com o que se escreveu então.
Sobre os dois principais jornais paulistas, apesar da aparente amnésia, sabemos muito.
Porém, como disse Bia em sua fala, publicar poemas de Camões na primeira página do Estadão e receitas culinárias nas páginas do Jornal da Tarde foram concessões da ditadura, já que o que estava proibido era publicar os jornais com espaços em branco.
O caso da Folha é claríssimo. O jornal apoiou o golpe e a ditadura até tarde. Mudou de posição em busca de vantagens comerciais. Tirou proveito da destruição de concorrentes, como a Última Hora, de Samuel Wainer. Engoliu o Notícias Populares, criado para enfrentar a Última Hora. Quando a TV Excelsior teve a concessão cassada, pelo governo Médici, a família Frias ficou com parte do espólio. Emprestou um jornal à ditadura, a Folha da Tarde. Também emprestou carros de entrega de jornais à Operação Bandeirantes, que operou o maior centro de torturas do Brasil, o DOI-Codi da rua Tutoia. Quando os militares se dividiram, a Folha jogou com a linha mais dura, que não aceitava a abertura “lenta, gradual e restrita”. Em resumo, foi oportunista.
Já a Globo, segundo Beatriz detalha em seu livro, chegou a contratar censores para atuar como seus funcionários, com o objetivo de aperfeiçoar a autocensura e evitar cortes que poderiam causar prejuízos econômicos.
Hoje, porém, o que se vê, segundo a historiadora, é uma tentativa de reescrever a História, destacando o papel “resistente” da mídia que, segundo ela, praticamente não houve.
Jornalistas vítimas da ditadura, acrescenta, foram aqueles que militaram em organizações de esquerda na luta armada e foram presos e mortos.
O evento deste sábado faz parte de uma campanha para levantar fundos para o jornalista Marco Aurélio Mello, processado duas vezes por seu ex-patrão global, uma delas por ter escrito uma peça de ficção.





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